Gestão de canais B2B: 6 práticas para o DRE fechar no verde

Vender por canal chega a 75% do comércio B2B global. Veja as 6 práticas táticas para transformar parceria em receita previsível.

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Gestão de canais B2B: 6 práticas para o DRE fechar no verde

Ernani Carraro | Gestão de Canais | Leitura de 9 minutos

Capa do artigo sobre gestão de canais B2B com diagrama de parceiros conectados a um fabricante central

Enquanto boa parte das diretorias ainda enxerga o programa de canais como uma lista de revendas que deveriam vender sozinhas, a gestão de canais B2B vem se tornando uma das alavancas mais decisivas para o resultado financeiro de empresas de tecnologia, e justamente por isso tratá-la como apêndice do comercial costuma aparecer, mais cedo ou mais tarde, como um buraco estrutural no DRE.

Por que a gestão de canais B2B pesa tanto no DRE

A lógica de vender por meio de parceiros é atrativa para qualquer CFO, porque se trata de uma força de vendas que já tem o relacionamento e a confiança do cliente final e que, na maior parte dos modelos, é remunerada por performance através de margem ou comissão, o que transforma custo fixo de aquisição em custo variável atrelado à receita.

75%

do comércio mundial passa por canais indiretos, segundo estimativa da Forrester, e no mercado de tecnologia os parceiros já influenciam mais de 70% de todo o gasto global com TI, de acordo com a Canalys.

Fontes: Forrester, via Partner Insight | Canalys Newsroom

O problema é que, no mundo real, a disputa pela atenção do parceiro é feroz, e quando o fabricante credencia uma revenda mas não a gerencia com cadência, ela simplesmente redireciona energia para o concorrente com quem é mais fácil transacionar. Já estive em todos os lados dessa mesa, do fabricante ao distribuidor, passando pela revenda e pelo finder, e as seis práticas a seguir são o que eu vi separar programas que geram receita previsível de programas que viram linha de custo sem retorno na planilha do financeiro.

1. Alinhamento executivo e horizonte de ROI realista

Lançar um programa de canais exige investimento contínuo e um período de ramp-up que raramente cabe em um único ano fiscal, e por isso a primeira conversa que precisa acontecer não é com os parceiros, mas com o C-level, para que todos saibam desde o início em que prazo o retorno será cobrado.

O horizonte que o CFO precisa aceitar

Em dez anos montando programa de canal, nunca vi um ecossistema amadurecer em poucos meses: na minha experiência, o ciclo completo de recrutar, ativar, capacitar e ver o parceiro vender com autonomia costuma levar de dois a três anos, e quando esse horizonte não é combinado antes, o programa é cortado exatamente quando começaria a pagar a conta.

Talento sênior e estrutura mínima

Colocar o programa inteiro nas costas de um ou dois profissionais juniores é, na prática, pedir para queimar o canal, porque sem orçamento para suporte, engenharia de vendas e um portal minimamente organizado o time entra em sobrecarga e acaba saindo da empresa levando consigo o relacionamento que tinha construído com os parceiros.

Comissão recorrente como custo de aquisição

O pagamento contínuo ao parceiro costuma ser lido como perda de margem, quando na verdade ele funciona como um dos custos de aquisição mais eficientes que a empresa pode ter, já que só é pago quando existe receita entrando e dispensa a estrutura fixa que uma operação de vendas diretas equivalente exigiria.

2. Experiência sem atrito para o cliente (CX) e para o parceiro (PX)

Em gestão de canais B2B, parceiro não quer burocracia, ele quer colocar dinheiro no bolso sem colocar em risco a confiança que levou anos para construir com a própria carteira de clientes, e qualquer processo do fabricante que ameace essa confiança será lembrado muito mais do que qualquer campanha de incentivo.

Proteja o ativo mais valioso da revenda

O cliente é o maior ativo de uma revenda, e se o fabricante a faz passar vergonha com atraso na entrega, faturamento errado ou suporte lento, ela dificilmente volta a trazer uma conta nova. Já perdi parceiro por isso, e posso dizer que reconquistar essa confiança custa muito mais caro do que teria custado evitar o problema.

Regra de engajamento transparente

O conflito de canal é o veneno mais rápido para qualquer programa: se o time de vendas diretas disputa o mesmo lead que o parceiro já registrou no deal registration, a mensagem que chega ao ecossistema inteiro é que o registro não vale nada, e a partir daí nenhum parceiro volta a compartilhar pipeline com você.

3. Presença constante e disputa pelo mindshare

Um dos pontos mais subestimados da gestão de canais B2B é que a maioria das revendas trabalha com dezenas de fabricantes ao mesmo tempo, o que significa que o seu produto está competindo pela atenção do vendedor do parceiro com todos os outros do portfólio dele, e nesse cenário quem não é visto simplesmente não é lembrado na hora em que o cliente pede uma proposta.

Channel Account Manager no campo

O papel do Channel Account Manager é estar na rua, visitando parceiros, almoçando com diretores comerciais e participando das reuniões de planejamento deles, porque é nesse contato que se descobre qual oportunidade está travada e qual vendedor precisa de apoio para fechar.

Tire a burocracia do CAM

Toda vez que sento com um gestor de parcerias, aparece a mesma situação: o executivo de canais passa a maior parte da semana preenchendo relatórios internos ou resolvendo chamados de suporte, e quando isso acontece ele deixou de ser gerador de pipeline para virar um cargo administrativo com título comercial.

O parceiro vende o que lembra, e lembra de quem aparece.

Ernani Carraro | Hub de Parcerias

4. Marketing de canal com estrutura dedicada em três frentes

Marketing para canal tem muito pouco em comum com marketing B2B direto, e a operação exige profissionais dedicados que saibam trabalhar ao mesmo tempo em três frentes complementares, cada uma com objetivo, público e métrica próprios.

FrenteObjetivoExemplo prático
To-ChannelRecrutar e engajar o parceiroConteúdo que explica por que vale vender a sua marca e quanto o parceiro ganha com isso
Through-ChannelAjudar o parceiro a gerar demanda na base deleCampanhas co-branded prontas para a revenda aplicar a própria marca e disparar para os clientes
For-ChannelGerar demanda com verba do fabricanteLeads gerados pelo fabricante no mercado final e repassados para o parceiro fechar
Diagrama das três frentes do marketing de canal: to-channel, through-channel e for-channel ligadas ao fabricante
As três frentes do marketing de canal precisam rodar em paralelo, cada uma com dono e métrica.

O erro que mais vejo é concentrar todo o esforço em to-channel, recrutando parceiros com material bonito, e depois deixá-los sozinhos para gerar demanda, o que produz um portfólio grande de parceiros credenciados e um número pequeno de parceiros que de fato vendem.

5. Mapeamento claro dos papéis no ecossistema

O mercado B2B atual deixou de ser uma linha reta entre fabricante, revenda e cliente, e hoje uma mesma venda pode envolver vários atores com funções diferentes, algo que detalhei ao explicar o que é um ecossistema de parcerias e por que o canal mudou.

AtorPapel na jornadaComo costuma ser remunerado
ConsultorInfluencia a escolha da soluçãoFee de indicação ou incentivo por influência
ISVIntegra a solução via API ao próprio produtoReceita compartilhada ou co-sell
DistribuidorOferece crédito, logística e escalaMargem sobre o volume transacionado
RevendaVende e implementa para o cliente finalMargem de revenda ou comissão
MSPFaz a gestão contínua do ambiente do clienteRecorrência sobre o serviço gerenciado
Mapa de papéis de um ecossistema de parceiros B2B com consultor, ISV, distribuidor, revenda e MSP ao redor do cliente
Cada ator entra em um ponto diferente da jornada do cliente ideal.

A tarefa aqui é mapear onde cada um desses atores se encaixa na jornada de compra do seu ICP e definir com clareza como é remunerado quem apenas influencia em comparação com quem transaciona, porque quando essa regra fica implícita o resultado é ruído entre parceiros e disputa pela mesma comissão.

6. Especialização por vertical de mercado

Na gestão de canais B2B, tentar vender uma tecnologia genérica que supostamente serve para tudo aumenta o ciclo de vendas e reduz a conversão, porque o cliente quer ouvir alguém que entende o problema específico do setor dele, e não uma lista de funcionalidades que ele precisa traduzir sozinho para a própria realidade.

Especialistas residentes por setor

Alocar profissionais do fabricante que falam a língua de indústrias específicas, como varejo, saúde ou serviços financeiros, para apoiar os parceiros em campo é uma forma de emprestar credibilidade técnica à revenda justamente nas contas em que ela mais precisa se posicionar como especialista.

A força da revenda regional

Nas conversas que tenho com profissionais da área, aparece sempre o mesmo padrão: a revenda regional costuma ter uma confiança enorme de verticais locais, e quando o fabricante entrega playbooks e battlecards prontos por setor, ela acelera a penetração de mercado sem que ninguém precise construir essa autoridade do zero. Particularmente, acho que esse é o investimento com melhor relação entre custo e retorno que um programa em fase inicial pode fazer.

Citação do Hub de Parcerias: o parceiro vende o que lembra, e lembra de quem aparece
Salve e compartilhe com quem cuida do seu programa de canais.

Perguntas frequentes sobre gestão de canais B2B

O que é gestão de canais B2B?

Gestão de canais B2B é a disciplina de recrutar, ativar, capacitar e remunerar parceiros que vendem ou influenciam a venda de uma solução para outras empresas. Envolve definir regras de engajamento, programas de tiers, comissionamento e marketing de canal, com o objetivo de transformar a rede de parceiros em receita previsível e mensurável.

Quanto tempo um programa de canais leva para dar retorno?

Depende do ciclo de venda e da maturidade do mercado, mas raramente acontece em poucos meses. Na minha experiência, recrutar, ativar e ver o parceiro vendendo com autonomia leva de dois a três anos. Por isso o horizonte de retorno precisa ser combinado com o CFO antes do lançamento, e não depois.

O que é conflito de canal e como evitar?

Conflito de canal acontece quando o time de vendas diretas e o parceiro disputam o mesmo cliente ou oportunidade. A forma mais eficaz de evitar é ter uma regra de engajamento transparente, com deal registration que proteja a oportunidade registrada pelo parceiro e que seja cumprida também pelo time interno.

Qual a diferença entre to-channel, through-channel e for-channel?

To-channel é o marketing feito para o parceiro, com foco em recrutar e engajar. Through-channel é o marketing feito pelo parceiro com apoio do fabricante, como campanhas co-branded. For-channel é a demanda gerada pelo próprio fabricante no mercado final e repassada para o parceiro fechar a venda.

Próximo passo: escolha a prática em que o seu programa está mais fraco hoje, leve o checklist acima para a próxima reunião com a liderança e saia dela com um dono e um prazo definidos. Se quiser entender melhor quem executa isso no dia a dia, comece pelo guia sobre o papel do Channel Account Manager.

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