O dinheiro fácil no M&A de tech acabou. E isso é bom pro canal.

Por Karyn K. Carraro · 21 ago 2026

O ciclo de fusões e aquisições em tecnologia no Brasil (2024-2026) segue rendendo negócios grandes. A TOTVS concluiu, em 2 de março, a aquisição de 100% do capital da Linx por R$ 3,05 bilhões — negócio anunciado em julho de 2025, comprado da Stone, aprovado pelo Cade e financiado com recursos próprios mais dívida em condições que a companhia classificou como favoráveis. Com a Linx, que tem mais de 180 soluções pra gestão de varejo, a TOTVS amplia o portfólio pra atender diferentes perfis de varejista.

No mesmo ciclo, a italiana Almaviva concluiu em agosto de 2025 a compra da Tivit, adquirida do fundo Apax Partners (controlador desde 2010, valor não divulgado). A operação criou um grupo com receita anual combinada acima de R$ 12 bilhões e colocou a Almaviva como a segunda maior provedora de soluções de tecnologia do Brasil — a receita da empresa já cresceu 25% no primeiro ciclo completo pós-aquisição.

O padrão dos dois negócios é o mesmo: o critério de avaliação migrou de crescimento acelerado a qualquer custo pra EBITDA ajustado, fluxo de caixa consistente e governança.

Consolidação nesse tamanho redesenha quem senta na mesa de negociação de canal. Se seu distribuidor, revenda ou integrador está numa dessas órbitas — varejo com a TOTVS, outsourcing/TI com a Almaviva — vale mapear agora como a mudança de controle pode alterar contrato, SLA e prioridade comercial nos próximos meses. Não é notícia de mercado financeiro distante, é o tipo de evento que reescreve seu mapa de parceiros sem aviso prévio.

Fontes: TI Inside — TOTVS/Linx · ConvergênciaDigital — Cade aprova · Inforchannel — Almaviva/Tivit · Bloomberg Línea — receita pós-aquisição

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