Pare de pagar por pipeline influenciado

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“Influenciado” é a palavra que todo programa de parcerias usa pra esconder que o parceiro não fez nada.

Se o seu comitê de parcerias ainda reporta “pipeline influenciado” como métrica principal, você está otimizando pro número errado.

Isso cria um programa que parece produtivo em QBR e não sobrevive a um corte de orçamento — porque na primeira auditoria séria, alguém vai perguntar: “esse deal teria fechado sem o parceiro?” E a resposta é sim.

A influência é importante? SEM DÚVIDAS. Porém, ela deve ser metrificada de forma diferente.

A métrica que sobrevive é outra: co-sell.
Co-sell é o parceiro dentro do deal, movendo estágio, participando de reunião, assinando proposta conjunta, trazendo contexto que o seu time não tinha. Utiliza a confiança e relacionamento dele a seu favor, direcionando a negociação para tua empresa. É rastreável, é verificável, e principalmente: é o único tipo de engajamento que prevê se aquela parceria vai continuar gerando receita no próximo trimestre.

Na prática, isso muda três coisas na sua operação:

  • Comissionamento: pare de pagar (ou de reportar internamente) por atribuição de influência. Pague por participação verificável no deal — reunião conjunta registrada, proposta co-assinada, ou introdução documentada que gerou oportunidade nova.
  • CRM: crie um campo separado de “partner engagement type” (co-sell / referral / influence) em vez de um campo único de atribuição. Isso te dá visibilidade real de onde o parceiro realmente trabalhou.
  • Revisão trimestral: troque a pergunta “quantos deals o parceiro tocou” por “em quantos deals o parceiro foi decisivo para o cliente escolher a gente”. A segunda pergunta é mais difícil de responder — e é exatamente por isso que ela separa parceria de vaidade.

Exemplo Prático:
Um programa de SaaS europeu de canais reportava $ 4,2 milhões em “pipeline influenciado por parceiros” no trimestre. Ao trocar o critério para co-sell verificado (parceiro em pelo menos uma reunião registrada + participação documentada na proposta), o número caiu para R$ 900 mil.

Parece uma notícia ruim. Não é: os R$ 900 mil tinham taxa de fechamento 3x maior que a média da carteira sem parceiro — porque eram deals onde o parceiro realmente resolveu uma objeção, trouxe confiança técnica ou acelerou a decisão. O time parou de distribuir incentivo pra parceria decorativa e concentrou enablement nos parceiros que geravam esse tipo de engajamento.

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